segunda-feira, 13 de abril de 2015

Curtinhas I


O caixão rastejante e outras assombrações de família

Livro para crianças tem de ser livro bom. Afinal, criança merece o melhor.

E como saber se o livro infantil é bom? Cada um tem sua receita, então vou dar uma que não falha. Leia e reflita sobre o seu próprio ato de leitura. Você se interessou de verdade pelo que estava lendo?  Sentiu prazer ao ler? Emocionou-se? Viajou na(s) história(s)? Se sentiu menos do que isso, o doce não ficou no ponto. Você pode dizer que o livro é, no máximo, bonzinho.

Toda essa conversa para contar que acabo de ler um livro infantil capaz de encantar todo mundo, inclusive os miúdos. Como, aliás, deve fazer toda obra para crianças. É O caixão rastejante e outras assombrações de família, da Angela Lago. Historinhas curtas de assombração, muito gostosas de ler.

As primeiras histórias são fáceis para adultos, pois parecem passíveis de racionalização. Você as lê e pensa: “Não vê que foi ilusão? Bobo é quem acredita.” E aí, gente grande muito boba, você continua lendo e se enreda de vez. Foi assim comigo: impressionei.


LAGO, Angela. O caixão rastejante e outras assombrações de família. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2015.

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Constelação de gênios: Uma biografia do ano de 1922

Ezra Pound considerava 1922 como o Ano Um de uma nova era. Kevin Jackson acreditou tanto nisso, que resolveu demonstrar por quê. Daí surgiu Constelação de gênios: Uma biografia do ano de 1922, em que ele relaciona dia a dia, mês a mês, as efemérides daquele que muitos consideram o annus mirabilis do modernismo literário.

Como observa Jackson, “1922 foi um ano de primeiras vezes, nascimentos e fundações.” Mostrando esse cenário, ele dá ênfase ao lançamento de duas obras literárias, Ulisses, de James Joyce, e A terra devastada, de T. S. Eliot, publicadas, respectivamente, no início e no fim daquele ano. As duas obras são por ele consideradas os grandes marcos daquele período de grande ebulição de ideias. É interessante notar que ele credita o desenvolvimento das carreiras de Joyce e Eliot ao esforço de outro artista – Ezra Pound – para promover o trabalho de ambos.

Pode parecer estranho, para quem é brasileiro, olhar o modernismo na perspectiva de um inglês. Explico: a única menção feita ao Brasil é a da Semana de Arte Moderna, com especial destaque para Villa-Lobos e Mário de Andrade. Jackson lembra, aliás, que Pauliceia desvairada, de Mário, é considerada por muitos A terra devastada da literatura latino-americana. Mas a leitura, além de fácil, pode ser proveitosa, especialmente se você é amante de literatura. O conjunto organizado de informações que o livro oferece pode ser de grande utilidade. Vale conferir.


JACKSON, Kevin. Constelação de gênios: Uma biografia do ano de 1922. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.

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As descobertas: Os grandes avanços da ciência no século XX

O livro As descobertas, de Kevin Lightman, resulta de uma longa pesquisa, que teve como  objetivo dar a conhecer os grandes avanços da ciência no século XX. Por meio de consulta a especialistas em várias áreas, o autor conseguiu listar mais de uma centena de artigos científicos originais, dos quais selecionou 25. Com base neles, escreveu a respeito das 22 descobertas em ciência pura que ele considera “com maior relevância conceitual, aquelas que mais mudaram o pensamento e promoveram o progresso em seus campos”. 
“Cada descoberta tem sua própria história”, diz o autor na introdução. É isso que ele se propõe a contar. Embora os artigos originais sejam essenciais para sua pesquisa (“A meu ver, os primeiros relatos das grandes descobertas científicas são obras de arte.”), Kevin não se preocupa em reproduzir-lhes pequenos trechos, e sim em fornecer seu conteúdo resumido em linguagem simplificada. Cada descoberta resulta da luta de um indivíduo ou um grupo de indivíduos geniais na busca da solução para um problema. Cada descoberta é apenas uma resposta provisória para uma questão que se torna mais crítica à medida que é investigada.

LIGHTMAN, Alan. As descobertas: Os grandes avanços da ciência no século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

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