O caixão rastejante e outras assombrações de família
Livro para crianças tem de ser
livro bom. Afinal, criança merece o melhor.
E como saber se o livro infantil
é bom? Cada um tem sua receita, então vou dar uma que não falha. Leia e reflita
sobre o seu próprio ato de leitura. Você se interessou de verdade pelo que
estava lendo? Sentiu prazer ao ler?
Emocionou-se? Viajou na(s) história(s)? Se sentiu menos do que isso, o doce não
ficou no ponto. Você pode dizer que o livro é, no máximo, bonzinho.
Toda essa conversa para contar que acabo de ler um livro
infantil capaz de encantar todo mundo, inclusive os miúdos. Como, aliás, deve
fazer toda obra para crianças. É O
caixão rastejante e outras assombrações de família, da Angela Lago.
Historinhas curtas de assombração, muito gostosas de ler.
As primeiras histórias são fáceis
para adultos, pois parecem passíveis de racionalização. Você as lê e pensa:
“Não vê que foi ilusão? Bobo é quem acredita.” E aí, gente grande muito boba,
você continua lendo e se enreda de vez. Foi assim comigo: impressionei.
LAGO, Angela. O caixão rastejante e outras assombrações de família. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2015.
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Constelação de gênios: Uma biografia do ano de 1922
Ezra Pound considerava 1922 como
o Ano Um de uma nova era. Kevin Jackson acreditou
tanto nisso, que resolveu demonstrar por quê. Daí surgiu Constelação de gênios: Uma biografia do ano de 1922, em que ele
relaciona dia a dia, mês a mês, as efemérides daquele que muitos consideram o annus mirabilis do modernismo literário.
Como observa Jackson, “1922 foi
um ano de primeiras vezes, nascimentos e fundações.” Mostrando esse cenário,
ele dá ênfase ao lançamento de duas obras literárias, Ulisses, de James Joyce, e A
terra devastada, de T. S. Eliot, publicadas, respectivamente, no início e
no fim daquele ano. As duas obras são por ele consideradas os grandes marcos daquele
período de grande ebulição de ideias. É interessante notar que ele credita o
desenvolvimento das carreiras de Joyce e Eliot ao esforço de outro artista –
Ezra Pound – para promover o trabalho de ambos.
Pode parecer estranho, para quem
é brasileiro, olhar o modernismo na perspectiva de um inglês. Explico: a única
menção feita ao Brasil é a da Semana de Arte Moderna, com especial destaque
para Villa-Lobos e Mário de Andrade. Jackson lembra, aliás, que Pauliceia desvairada, de Mário, é considerada por muitos A terra devastada da literatura
latino-americana. Mas a leitura, além de fácil, pode ser proveitosa, especialmente
se você é amante de literatura. O conjunto organizado de informações que o
livro oferece pode ser de grande utilidade. Vale conferir.
JACKSON, Kevin. Constelação de gênios: Uma biografia do ano de 1922. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.
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As descobertas: Os grandes avanços da ciência no século XX
O livro As descobertas, de Kevin Lightman, resulta de uma longa pesquisa, que
teve como objetivo dar a conhecer os
grandes avanços da ciência no século XX. Por meio de consulta a especialistas
em várias áreas, o autor conseguiu listar mais de uma centena de artigos
científicos originais, dos quais selecionou 25. Com base neles, escreveu a
respeito das 22 descobertas em ciência pura que ele considera “com maior
relevância conceitual, aquelas que mais mudaram o pensamento e promoveram o
progresso em seus campos”.
“Cada
descoberta tem sua própria história”, diz o autor na introdução. É isso que ele
se propõe a contar. Embora os artigos originais sejam essenciais para sua
pesquisa (“A meu ver, os primeiros relatos das grandes descobertas científicas
são obras de arte.”), Kevin não se preocupa em reproduzir-lhes pequenos
trechos, e sim em fornecer seu conteúdo resumido em linguagem simplificada.
Cada descoberta resulta da luta de um indivíduo ou um grupo de indivíduos
geniais na busca da solução para um problema. Cada descoberta é apenas uma
resposta provisória para uma questão que se torna mais crítica à medida que é
investigada.
Obrigada, Sandra! Adorei!
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